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4 de janeiro de 2012

Sertanejo

Todo mundo diz que música sertaneja é musica de corno. Não concordo. A música sertaneja, pelo menos as que tocam nas rádios (não conheço profundamente o estilo musical) não é música de corno, não! Estou escrevendo esse post porque essa semana ganhei o CD da Maria Cecília e Rodolfo – Melhores Músicas. Eu não consigo parar de ouvir e de rir. Deixa eu explicar minhas razões: 1) Uma das músicas fala sobre a revolta interna de uma mulher trocada por outra. A melodia é bonita, ok, mas a mulher deseja sofrimento para o cara: “Todo o tanto que você sofrer para mim é pouco, você tá tendo o troco, falei que ia ter troco...” Ela dá risada do sofrimento do cara arrependido, que tomou uma decisão errada e agora quer voltar... Caramba... quem nunca errou e quis uma segunda chance... a mocinha é cruel com o cara. 2) Outra música fala de uma pessoa louca, que quer rastrear o celular do namorado, com a desculpa de que “Quem ama, cuida”. Desde quando neurose é cuidado? Desculpa, se alguém precisa conferir suas mensagens, verificar seus emails e ligações, sinto muito, ou você é muito bobo ou... Ahhhhhhhh... vc é muito bobo mesmo... pára, relação assim ninguém merece!!! Gente louca... Eu tenho horror de quem me liga mais do que duas vezes seguidas. Seguinte: a primeira vez que não atendi, posso não ter escutado. A segunda vez sem resposta, por favor, entendam: “Não posso atender”, portanto, não ligue a terceira. Acho coisas de personalidades “Linha Direta”... Deus me livre!!! 3) Outra faixa do CD toca uma música que resume a vida da pessoa a outra. Pode parecer falta de romantismo da minha parte, mas é que é uma apologia a dependência emocional. Eu amo sim, sou apaixonada, sinto saudades, quero estar junto. Mas não é tudo que quero na minha vida. Eu tenho vida própria e é engraçado ver alguém dizer: “TUDO que eu quero é vc de volta... minha vida tem sentido se tiver vc...” Aprendi com um amigo um dia que a gente só pode colocar o sentido da nossa vida em algo que não seja finito. Porque senão a gente faz o que? Acabou, e eu? Morro? 4) A ultima música do CD, muito engraçada, faz uma provaçãozinha barata para o que cara que não te dá bola: “A fila andou, eu te falei...agora chora...” Não tem nada pior do que a pessoa que vc curte não te dar bola... e se vc precisa ficar jogando na cara que tá saindo com outra pessoa, sinto, a fila pode até ter andado, seus pés se moveram, mas seu coração ainda está pregado lá trás, nesse cara idiota que vc nunca esqueceu... Enfim, não é musica de corno. É de suicida, psicopata, neurótico, obssessivo, sei lá... Mas, quem não tem um pouco disso tudo?

6 comentários:

  1. É porque você não conhece a dupla "Monetário Financeiro"...

    http://letras.terra.com.br/monetario-financeiro/1981076/

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  2. É bem por aí...rs
    Em verdade a "verdadeira" música sertaneja é bem diferente dessa perfumaria barata, comercial e pobre que se "fabrica" atualmente...elas tratam da vida cotidiana do homem que viveu um dia no campo e que ocasionalmente também sofreu por (ou seria de?) amor...aliás, fato esse retratado com muito mais ombridade e caráter que os "cornos" atuais...mas não era apenas esse o mote da música sertaneja de outrora...apenas pra te dar um exemplo, no mínimo, engraçado, deixando de lado a argúcia do compositor, a beleza de sua rimas...confira a letra de uma moda muito famosa de Tião Carreiro e Pardinho, "O mineiro e o italiano"...

    O mineiro e o italiano
    Viviam as barras dos tribunais
    Numa demanda de terra
    Que não deixava os dois em paz
    Só em pensar na derrota
    O pobre caboclo já não dormia mais
    O italiano roncava nem
    Que eu gaste alguns capitais
    Quero ver esse mineiro
    Voltar a pé pra Minas Gerais

    Voltar de a pé pro mineiro
    Seria feio pros seus parente
    Apelo pro adevogado
    Fale pro juiz pra ter do da gente
    Diga que nois semo pobre
    Que meus filinhos vivem doente
    Um parmo de terra a mais
    Pra o italiano é indiferente
    Se o juiz me ajuda ganha
    Lhe dou uma leitoa de presente


    Retrucou o advogado
    O senhor não sabe o que tá falando
    Não caia nessa bestera
    Senão nois vamo entra pro cano
    Esse juiz é uma fera caboclo serio e de tutano
    Paulista da velha guarda
    Família de quatrocentos anos
    Mandar a leitoa pra ele
    É dar a vitoria pro italiano


    Porém chegou o grande dia
    Que o tribunal deu o veredito
    Mineiro ganhou a demanda
    O advogado achou esquisito
    Mineiro disse ao doutor
    Eu fiz conforme eu lhe havia dito
    Respondeu o advogado que
    O juiz vendeu eu nao acredito
    Jogo meu diploma fora
    Se nesse angu não tive mosquito


    De fato falou o mineiro
    Nem mesmo eu tô acreditando
    Ver meus filhinhos de apé
    Meu coração vivia sangrando
    Peguei uma leitoa gorda
    Foi DEUS do céu me deu esse plano
    De uma cidade visinha
    Para o juiz eu fui despachando
    Só não mandei no meu nome
    Mandei no nome do italiano

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  3. Bem pertinente o post acima. Música sertaneja "da gema" ou "da terra" é bem mais profunda que essa baixaria comercial. Lembro-me de uma música, cantada por Almir Satter (não sei se foi ele que compôs, acho que não), que me marcou muito, sobre o "gado de piranha". Embora pareça, não se trata de putaria ou corneação...rsrs. Mas não me lembro o nome. Alguém sabe qual é? A propósito, estava com saudades dos seus textos, sempre demais!!!

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  4. A música referida acima é linda mesmo. E o final é maravilhoso! E confira a canção/melodia, caso não conheça. Vale a pena.

    Travessia do Araguaia
    Almir Sater
    Naquele estradão deserto,
    Uma boiada descia
    Pras bandas do Araguaia
    Pra fazer a travessia.
    O capataz era um velho
    De muita sabedoria,
    As ordens eram severas
    E a peonada obedecia.

    O ponteiro, moço novo
    Muito desembaraçado,
    Mas era a primeira viagem
    Que fazia pra esses lados;
    Não conhecia os tormentos
    Do Araguaia afamado,
    Não sabia que as piranhas
    Era um perigo danado.

    Ao chegarem na barranca
    Disse o velho boiadeiro:
    Derrubemos um boi n'água
    Deu a ordem ao ponteiro.
    Enquanto as piranhas comem
    Temos que passar ligeiro,
    Toque logo esse boi velho
    Que vale pouco dinheiro.

    Era um boi de aspas grandes
    Já roído pelos anos,
    O coitado não sabia
    Do seu destino tirano.
    Sangrando por ferroadas
    No Araguaia foi entrando,
    As piranhas vieram loucas
    E o boi foram devorando.

    Enquanto o pobre boi velho
    Ia sendo devorado
    A boiada foi nadando
    E saiu do outro lado.
    Naquelas verdes pastagens
    Tudo estava sossegado.
    Disse o velho ao ponteiro
    Pode ficar descansado.

    O ponteiro revoltado
    Disse que barbaridade
    Sacrificar um boi velho
    Pra que essa crueldade?
    Respondeu o boiadeiro
    Aprenda esta verdade
    Que Jesus também morreu
    Pra salvar a humanidade

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  5. hahaha...

    iniciando o ano inspirada D... adoro... hahaha

    esta é para o rol das românticas do chamado "sertanejo universitário"...

    Nas incertezas de um caminho que é tão doído
    Sem você eu já me encontrava tão sozinho
    Antes de adeus você dizer
    Na magoa de um sonho que acabou
    Dia a dia sentia você partir
    Sem rumo, perdido vou ficando aqui

    Sem você, sem você
    Nem o tempo me faz companhia
    Não me arranca essa agonia de viver
    Sem você, sem você
    O silêncio dessas horas frias são palavras que não sei
    dizer
    Ainda amo você."

    JT

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  6. QUEM CONHECE MÚSICA SERTANEJA NÃO FALA QUE É MÚSICA DE CORNO. MÚSICA SERTANEJA DE RAIZ É BELA DEMAIS. HOJE EM DIA SÓ SE HOUVE LIXO.E TEM GENTE Q GOSTA.DÓI O TÍMPANO, DÓI A ALMA. SÓ SERVE P NOS DIVERTIR. TEM UMA Q NOS CAUSA REPULSA. NÃO EXISTE ARTE, ROMANTISMO. OUÇA AS MELODIAS ANTIGAS, FEITAS COM MUITO CUIDADO, VINDAS DO SERTÃO MESMO, CHEIAS DE POESIA. DAÍ SIM, QUALQUER UM VAI GOSTAR. FALA AO CORAÇÃO. AGORA ESSAS LETRAS DE HOJE SAÍRAM DO LIXÃO MESMO. E TEM GENTE Q APRECIA, SÔ.
    PARABÉNS PELA MENSAGEM Q QUIS PASSAR.VALEU!

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