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26 de agosto de 2011

Sempre em frente....

Recebi esse texto hoje... sobre uma história de amor interrompida. Não podia deixar de compartilhar. A autoria é de E.B., um cara que me entendeu, me deu colo, me deu amor e compreensão sempre que precisei... ...Acredito que quando acordou no dia q ia voltar para o Brasil o céu ainda estava escuro para uma despedida. Não de ninguém, mas sim, de uma história: dois anos e pouco vivendo no mesmo apartamento, fazendo o mesmo caminho, cumprimentando as mesmas pessoas todas as manhas - o recepcionista do hotel, os gringos que passeiam pela cidade, o balconista da padaria. Nesse dia, você mudou de casa, de bairro, de cidade, de país e de certa forma, de vida. Durante os preparativos para o regresso, as voltas com a infinita lista de coisas para fazer e pessoas para despedir,não deve ter pensado no quanto a mudança significava mais do que só trocar o endereço das correspondência(que nunca chegavam). Embora não tenha sido a sua primeira mudança, eu tenho certeza, que essa foi diferente de todas as outras. Provavelmente porque esse foi o lugar por onde ficou e viveu intensamente a sua vida adulta.. Que escolheu sozinho quando se mudou em definitivo, num lugar que adora e provavelmente deve ter jurado que seria pra sempre.
Ou seja: esse pode ter sido o primeiro endereço com o qual, já maduro, criou laços verdadeiros. Conhecia todas as vielas e todos segredos. Se sentiu acolhido em uma cidade que é fantástica demais para fazer alguém se sentir parte dela. Hoje, eu não tenho a menor idéia do que se passa na sua vida. Mas sem sombra de duvida, tudo deve ser estranho. O cheiro, os barulhos e ate mesmo a localização dos interruptores. Deve ser aquela sensação de não saber por onde começar. É isso que mudanças, esperadas ou não, fazem com a gente: abrem um vazio, uma desordem que não parece natural. Não deixamos apenas as coisas fisicamente – perder, o que quer que seja, também arranca um pedaço da nossa história, dos nossos hábitos, dos nossos sonhos, da nossa identidade. Mesmo que você desfaça todas as mochilas, as coisas continuarão fora do lugar – e só parecerão certas quando você puder se reconhecer aqui. Mas também teorizo que o que te angustia é, na verdade, o que faz a beleza das mudanças. Quando deixamos algo que nos obriga a reorganizar os dias, ganhamos a chance de nos reencontrarmos com nós mesmos. Quando arrumamos as suas coisas, você achou documentos perdidos e pilhas de coisas inúteis das quais você não se desfez por pura comodidade. Vimos quantas coisas sem conserto você guardava, moedas perdidas, pilhas, celulares, e deve ter se dado conta de que poucas realmente importavam de verdade. No fim, você abriu mão de um caminhão de coisas, inclusive da segurança de se sentir querido pelas pessoas. Você podia ter adiado a volta, inventado desculpas para continuar no mesmo lugar. Estaria mais confortável sim. Mas a verdadeira pergunta é: estaria feliz? Vou te contar uma coisa, partidas e o fim me deixam nostálgico. Tenho medo do novo e me apego ao velho e isso me faz esquecer o sofrimento que levou a historia a acabar. Tento me lembrar que mesmo muito feliz, o sofrimento ainda era latente. E isso não era a vida que eu queria pra mim. Eu, você, a humanidade precisa aceitar que toda escolha implica em perdas, e toda mudança, até a mais sofrida, pede um adeus. Não é preciso negar o passado – até porque precisamos das lições dele para fazer um presente e um futuro melhores. As memórias felizes merecem e devem ser guardadas. Mas com realismo e sem o apego que cega para o que não foi tão bom. Bora combinar? Olhar pra frente. Um fim é um ano novo em particular.(já pensou nisso?) e no meu estou jurando que as coisas vão ser diferentes. A agonia do que se deixa tem que virar só saudade. E lembrar que com ela convive também a alegria de uma chance de se reinventar. O tema desse meu texto é despedida. Chorei um tanto com toda essa história. Mas não deve ter sido só de tristeza não, deve ter sido também de emoção pela esperança, inspiradas por pessoas, sentimentos que nos mostram que, mesmos os maiores adeus são novos começos.

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