Não existe abandono sem uma relação intensa... não existe decepção sem uma admiração profunda... não há medo sem um desafio muito interessante... Não há tristeza sem estar sucedida de uma alegria... o problema são sempre os parâmetros... eles são o que nos faz ver o mundo bom ou ruim...
15 de junho de 2011
Auto-ajuda
Eu amo livraria. Poderia passar meu fim de semana dentro de uma. Aliás, é o que faço quando não estou a fim de contato social. Ou vou ler em algum lugar sem movimento e com muito café. É meu momento de reflexão, de apertar o botão “off” e dizer adeus a tudo que está a minha volta para ingressar num universo fantástico que é o pensamento do outro, e recriar as histórias, montar minhas interpretações, fazer análises da minha vida, dos meus acontecimentos, festejos internos e depressões profundas. Sempre gostei de ler. Sempre. Comecei com Chico Bento, série Vagalume, Droga da Obediência, Droga do Amor (alguém se lembra disso???). Aí fui curtir na adolescência todos os clássicos da literatura brasileira, passei por uma fase de biografias em geral, depois de livros muito técnicos, depois tive que só estudar, e deixei o prazer da leitura sem pretensão, e hoje estou viciada em Martha Medeiros! Viciada! Adoro seu jeito irreverente de ser. Enfim... desde o início do ano comecei a ler seus livros e já os esgotei. Mas releio sempre suas crônicas, porque elas são um retrato do nosso questionamento inesgotável. Bom, essa introdução toda foi para falar de domingo retrasado. Fui na livraria procurar algo diferente... Eu acho livraria um universo encantador, adoro caminhar por todos os corredores, sento no chão (é quase sempre de carpete), abro vários livros, paquero dicionários, escuto música, enfim, um programa excelente para o fim de semana de uma solteira. Normalmente procuro livros que nunca estão entre os best sellers, eles ficam escondidos atrás de anúncios... Acho que sou assim em quase tudo na minha vida, odeio o que é obvio e que está em destaque. Gosto mesmo dos esquisitinhos, dos escondidinhos, dos rejeitados. Eles me instigam mais. Bom, aí me deparei com os livros de auto-ajuda. Normalmente, os ignoro, porque os títulos já me dão enjôo... “Seja feliz em 07 passos”, “8 segredos para o sucesso”, “Como conquistar um homem em 10 dias”. Reparei neles e, de um modo geral, todos indicam uma meta, com prazos estabelecidos e garantia de resultado. Aí resolvi abrir alguns. Escolhi os mais vendidos neste caso, porque precisava entender o que motiva alguém a acreditar que um livro possa ter o segredo da felicidade. Aliás, como pode um livro que fala que temos que ter pensamento positivo ser um sucesso em pleno século XXI? Como? Que descoberta alguém fez com isso? Aí eu fechei tudo e me recusei a continuar... Sentei para tomar um café e fiquei analisando... Eu me sentiria péssima comprando um livro de auto-ajuda. Quem compra ou não transa bem, ou não tem competência profissional, ou possui um casamento fracassado, ou não sabe conquistar um homem, porque são esses os temas principais. Eu, hein? O livro te fala um monte de coisas que são ideais fazer para consquistar sua meta, mas você precisa se tornar uma super pessoa, com poderes especiais e olhar de raio X para conseguir fazer tudo. E, se conseguir, vai ter uma úlcera, porque terá seus segundos controlados para que tudo seja perfeito. Pára!!! Quem precisa disso? Cada um tem que achar seu caminho para ser feliz. There's no rules. Tem gente que acha no pilates, yoga (já tentei, não rolou). Tem gente que acha numa balada rave, numa festa com 8000 pessoas. Outros na profissão, e realmente esquecem da vida pessoal. E daí? Que que alguém tem a ver com isso? Tem gente que acha tomando café e lendo. Cada um na sua, sabe? Mas aí vem um cara que deveria estar em patamares divinos, afinal, tem a solução para nossas vidas e fala que eu devo beber 8 copos de água/dia, correr, estudar, trabalhar, ser feliz ao acordar, olhar o sol lindo que se põe, ter metas estabelecidas, etc, etc, etc... Como assim? Ele nem me conhece? Eu ia odiar correr, ia odiar dormir 08 horas. Vou viver menos? Talvez, mas eu vivo bem assim. Enfim, livro de auto-ajuda, para mim, só auto-ajuda o escritor, que ganha dinheiro à custa de quem acha que o mundo pode ter resposta para seus problemas. Eu sei que só eu posso resolver os meus!