PERDI MEU AMOR
Perdi meu amor, em meio a tantas coisas que sempre julguei importantes
Perdi meu amor, em vastos campos de egoísmo.
Perdi meu amor, por tê-lo desprezado e negligente que sou tornei-me escravo de minha intolerância, me vi sozinho por opção e arredio por ignorância, pobre ser debilitado de energia e estéril de harmonia. Mártir de uma causa egoísta, celebre detentor de uma verdade tão exclusiva, quanto inexistente, fortes movimentos rumo ao nada nortearam minha investida pela vida, sempre cheio de desesperanças, forte aliado do pessimismo e servo, ainda que acomodado, de mim mesmo.
Perdi meu amor no momento que perdi o interesse, desisti de existir por puro revanchismo, travei lutas incessantes com meu eu, este, que sempre me foi estranho, fugi tantas vezes, e porque ficar? Afinal eu nunca estive, não me importo, não me interessa, afinal perdi meu amor, não é mesmo?
Perdi a vontade? Sim.
Perdi o desejo? Esse não.
Afinal não existe fruto ruim, nem terra infértil, não existem mentes sem pensamentos, não existem pessoas sem alma, e então vi que dentro dessa alma, a nobre alma humana, havia túneis infindos, verdadeiros labirintos que estendiam-se tão profundamente, que eu precisava voar em mágicos tapetes e percorrê-los, sem medo e sem pudor, e trazer a tona todo sentimento, fazer respirar, expor à luz.
Então a luz revelou em um canto deste labirinto, que é a alma humana, algo escondido, um ser? Um objeto? Não um sentimento ali estava. E uma voz saída de dentro da desconhecida e abandonada consciência, disse que ali estava o meu perdido amor, perdido não, abandonado sim, e veio-me a lucidez, e a percepção disse-me que na verdade ele nunca perdera-se, apenas foi aprisionado por mim mesmo, em uma masmorra de egoísmo e orgulho, mas mesmo na insanidade de submetê-lo a um injusto cárcere, deixei sob o tapete uma chave que servia perfeitamente as portas de meu coração, peguei-a, e ao abri-lo, lá estava Deus, lagrimas e sorrisos misturavam-se aos confusos pensamento e vozes assim como sonoras brisas, sopravam em meus ouvidos: foi bom ter achado a caminho de volta, mas se um dia por um acidente qualquer voltar a perder-se, voa pra dentro de ti outra vez, que aqui estarei, pois contido estou dentro de cada um, basta procurar.
Ivan Vieira
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