Não existe abandono sem uma relação intensa... não existe decepção sem uma admiração profunda... não há medo sem um desafio muito interessante... Não há tristeza sem estar sucedida de uma alegria... o problema são sempre os parâmetros... eles são o que nos faz ver o mundo bom ou ruim...
26 de março de 2010
Decepção...
A decepção pressupõe admiração... Mais que isso, nos obriga a entender que não há como controlar tudo, que não há escolhas perfeitas, que não há estradas sem passos errados. Impossível não errar. Possível é saber lidar com os erros dos outros como se nossos fossem. Pensei muito sobre essas coisas que acontecem na vida da gente, que nos fazem colocar o mundo em suspenso e refletir o que estamos fazendo com nossa passagem efêmera e tão intensa aqui... Neste contexto, o que me salta aos olhos é o fato de que nossas medidas na vida são sempre parciais... A gente calcula mal nossas necessidades, cria expectativas surreais em cima das pessoas e a conseqüência óbvia é a decepção. Óbvia e proporcional à nossa expectativa. As pessoas são um complexo de desejos, medos, incertezas, defesas, sonhos, rancores... Como esperar sempre a posição que desejamos, a atitude que nós, como seres idiossincráticos, únicos, achamos a mais adequada? A probabilidade de ocorrer diferente é de quase 100%. Então, para quê nos enganarmos criando um mundo nosso, em que tudo acontece como um quartel militar, com regras tão perfeitas e seguidores tão disciplinados? É egoísmo demais imaginar que as pessoas enxergarão o mundo como nós. Na verdade, é ilusão demais. É limitação extrema. A diversidade é uma das maiores propulsoras do crescimento. A discordância, o conflito. A crise sempre é sucedida pelo crescimento. Isso quer dizer que harmonia perfeita significa estagnação. Não quero a calmaria de uma vida morna em que não me vejo desafiada por problemas, por surpresas, por incertezas... quero a angústia do não conhecido, das expectativas frustradas, das decepções superadas... A alegria de conseguir, com minha força, mudar o cenário e caminhar novamente por nuvens criadas pelo meu desejo de ser feliz. Desejo a cada dia entender que não sou quem dita as regras, não é você, não é ninguém... A regra é a ausência de planejamento concretizado, a regra é ser tudo diferente do que pensamos... E há como julgar alguém por isso? Não há julgamento dissociado de nosso instinto egoístico de controlar o incontrolável. Não há julgamento livre de pretensão. Assim, diante dessas circunstancias, eu me perdôo por cada dia que me coloquei como alguém melhor do que outra pessoa, e me perdôo por sofrer ao ver alguém fazer isso comigo. É nossa natureza. Não há como mudar. Há apenas como aprender a lidar com menos dor com tudo isso. Que a felicidade seja encontrada por quem a merece. E isso, como tudo que conheço, a mim não pertence o direito de escolher. O que vale é continuar caminhando... é viver...
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