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4 de fevereiro de 2015

Texto de um PAI, por João Paulo Córdoba

Cada minuto vale a pena! 

13 de Janeiro de 2015. A manhã desta terça-feira quente de verão começou como qualquer outra. O despertador tocou, corri os meus quilômetros e saí para trabalhar no turno da manhã. Minha manhã foi interrompida por um ultrassom previamente programado. O, talvez, ultimo da primeira gestação da minha esposa. Como de costume, lá estava eu acompanhando cada batimento desse nosso pequeno tesouro. O líquido havia baixado, mas nada que precisássemos nos preocupar (ou talvez sim!). O exame iria para a doutora, eu voltei pro trabalho e bola pra frente que ainda faltam treze dias para você nascer. Só que não! Às duas hora da tarde recebi a ligação mais esmagadora da minha vida: "nossa filha vai nascer hoje!." É nessa hora na vida de um homem que você não sabe, literalmente, o que faz. Eu, pai de primeiríssima viagem, abri uma Coca-Cola, tomei de uma vez. Precisava daquele açúcar e daquele gosto (uma Coca-Cola gelada resolveu noventa e nove por cento dos problemas da minha vida). Como eu ia acalmar sua mãe, minha esposa, estando mais nervoso que ela? Uma hora depois estava em casa. "E aí?", abri a porta dizendo. "E aí que é hoje!", recebi como resposta com um sorriso sereno, apreensivo. "Calma! Vai dar tudo certo" respondi já sem mais segurar o choro. Era a última vez que aquela casa pertencia a apenas duas pessoas. Sairíamos e a próxima vez que voltássemos seria em sua companhia. Nunca o tempo passou tão devagar. Avisei às pessoas que tinha chegado a hora! Um turbilhão de ligações depois, banho tomado, malas prontas e estávamos quase prontos para aquele que seria o momento mais extraordinário de nossas vidas. Acendi uma vela em nosso relicário. Rezei, fiz promessa, chorei, eu e sua mãe nos abraçamos forte e, agora sim, estávamos prontos.  Internação feita, quarto pronto, família em peso na maternidade esperando por você (foram todos! Acho que não querem um outro parto da sua mãe por lá tão cedo), e às sete e vinte da noite subimos para o centro cirúrgico. "Vamos, pai, tá na hora. Entra ali e veste aquela roupa. Ahh... E fica calmo que vai dar tudo certo!", disse a doutora com a maior calma e naturalidade do mundo. É, no fundo eu sabia que ia mesmo. Mas eu não me aguentava. Suava em bicas. Já tinha feito todas as orações que sabia e inventado umas também enquanto aguardava a minha hora de entrar em cena. Sabe, é nessa hora que trocamos tudo que temos para que dê tudo certo nos próximos minutos. Entrei. Meio sem olhar para os lados para não ver nada que me deixe ainda mais nervoso. Abracei a cabeça de sua mãe e ouvi a conversa entre os médicos. Às sete e quarenta e nove ouvi pela primeira vez o seu choro. Choramos quando colou o rosto conosco após ter acabado de sair da barriga de sua mãe. Alguns minutos depois veio embrulhado para meu colo o presente mais espetacular que já segurei. Só que esse não desembrulhei! Abracei, meio que sem jeito, guiado pela intuição que disseram que eu teria e trocamos olhares num momento único. Deu tudo certo! Desci com você nos braços para o berçário. A plateia estava lá te esperando. Sério... Tinha bastante gente! E me lembro da reação de cada um ao te ver naquele berçário. Você foi muito esperada. Os dois dias no hospital demoraram pra passar. Chegou o dia de ir pra casa. Então, numa quinta-feira de Janeiro, você entrou conosco pela primeira vez no seu lar. E, desde então, essa casa nunca mais foi a mesma. É... Você encheu a casa com apenas quarenta e sete centímetros de comprimento. Parece que você sempre esteve lá e não sabemos mais como viveríamos se você não estivesse. Vinte e um dias depois, agora mais calmo, mais pai e mais consciente escrevo essas palavras e afirmo: cada minuto acordado com você vale a pena!

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