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15 de outubro de 2013

A coluna do meio


Eu sei que minha referência de vida é meio distorcida... Que sempre gostei de extremos e tals... Mas a verdade é que não é gosto, não... É desgosto! Eu ODEIO ficar em cima do muro. Vou explicar o porquê. Imagina você em cima de um muro, que separa um lado de outro de um universo qualquer. O muro pode ser alto, baixo, confortável, duro, fresco, quente ou frio. Tanto faz. Ainda que ele seja o melhor muro do mundo... Quanto tempo você consegue ficar ali, paralisado, sem decidir para que lado descer? E o que te motiva a ficar ali? Bom, eu sou ansiosa por natureza. Eu penso um pouco para planejar o que fazer (sou virginiana, dá um desconto), mas tomo uma posição rapidamente. Por um motivo único. Viver lá em cima significa o mesmo que não viver o universo, seja a metade da direita ou a da esquerda. Contemplar, ver de longe, só avistar, para mim é muito pouco. Muuuuuuuuuuuuuito pouco. Eu gosto de sentir o que há de bom e ruim nas coisas, de correr riscos, de enfrentá-los convicta de que vou conseguir. Isso me fortalece. Como ir à academia. Exponho-me a esforços que me deixam mais forte (é só uma analogia, eu não faço academia). Na hora dói, eu deixo de ir para a balada ou deixo de dormir mais uma horinha para ir lá sofrer com abdominais horríveis. Dói... É chato, ainda mais quando se freqüenta academia de patricinha (affffffffff, isso eu já fiz!). Mas depois da escolha de fazer, da dor dos músculos, o que acontece? Você está magra, com a barriga sarada. Olha que fantástico. Eu escolho dormir, na verdade... Fico com o sono ok. Abro mão da barriga fantástica, mas durmo. Sei lá, qualquer escolha vale. O que não rola é a coluna do meio. “Não sei se vou ou se fico”... É um adiamento de desfrute. E de privação. Torna-se pior em todos os aspectos. Você não está lá nem cá, não aproveita nada 100% e nem perde nada 100%. Na verdade, não faz nada. É meu conceito de vazio. Em cima do muro. Acabei de pensar nisso. Você não ganha, não perde, mas não tem acesso. Triste, eu acho. Eu amo o fato de ter escolhido todo tempo na minha vida. Perdi coisas incríveis com minha burrice ou precipitação. Mas ganhei vinhos, noites dormidas a mais, beijos inesquecíveis, frio na barriga. Sei lá... Acho que a cautela pode causar uma vida morna demais. Ou talvez, uma morte viva permanente.

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