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27 de junho de 2011

Luz nos olhos

"Até onde conseguimos discernir, o único propósito da existência humana é acender uma luz na escuridão da mera existência."
Carl Jung

Ontem estava assistindo Mario Sergio Cortella numa entrevista na TV. Já falei dele no blog antes, mas hoje merece destaque entre meus pensamentos mais íntimos. Ele falou muito sobre luz e sombra... Fiquei pensando nisso. A luz que as pessoas buscam é uma luz diferente da que ele trata. É a luz do holofote, e ele fala da claridade, sob o ponto de vista ético. Estar iluminado (seus atos, seus pensamentos, suas escolhas). Não ficar à sombra da política, da religiosidade, da ética, do social. Aí comecei a pensar sobre a questão fisiológica envolvida com a luminosidade. Quando estamos num ambiente muito claro, nossas pupilas diminuem consideravelmente para que possamos enxergar com clareza... Senão ficamos cegos, com a retina queimada pelo excesso de luz do dia. Pensei, então, comigo, que luz demais, sem proteção, é extremamente nociva... Por isso existem os óculos com a tal lente Transition, que adaptam a nossa visão ao tamanho da claridade... Acho meio brega, na verdade, mas talvez seja uma solução na medida para a clareza das coisas. Traçando um paralelo com a vida, tem hora que a gente sabe das coisas, que a gente já escutou falar, mas ver é tão difícil, né? É como um tapa na cara, escancarado, que sabíamos que existia, mas que o excesso de luz nos deixa completamente paralisados, sem saber como reagir. Eu me sinto assim várias vezes, corro atrás das minhas lentes Transitions, mas elas infelizmente não existem ainda no meu mundo. Sempre discriminei o brega, mas por esses dias queria muito essa proteção, por mais péssima que fosse aos olhos dos outros. O que mais importante era é que fossem ótimas aos meus olhos. Coincidência ou não, essas lentes de proteção tem o nome “Transitions”... Transição é sempre uma fase difícil na vida das pessoas, pois exige adaptações a novos contextos, nunca experienciados, ou há muito tempo esquecidos. Transição é um processo, em que a gente questiona nossa essência, nossos erros, acertos, fragilidades, etc. Mais difícil do que ser claro para o outro, estar iluminado para demonstrar tudo sobre você ao mundo, é você ter coragem de se conhecer, de se assumir e se mostrar amplificadamente visível a você mesmo. São muitas mudanças, muitas coisas que podemos reavaliar, mas principalmente, muito que temos que assumir. Transições são sempre difíceis, mas construtivas. Prefiro enxergar a vida assim. E hoje, gostaria muito de ficar no escuro por mais um tempo. Cortella citou ontem Guimarães Rosa, não vou me lembrar ipsis litteris a frase, mas algo que queria dizer assim: não adianta fazer escândalo de cara, no escuro aos poucos a gente vê com clareza... Eu tenho sim, vontade de gritar quando me é apresentada a escuridão de alguns dias, de algumas situações, de alguns momentos da minha vida. Mas a esperança de que voltarei a enxergar, ainda que no escuro, com clareza, me faz ter vontade de acordar todos os dias para ver o sol...