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20 de maio de 2011

A luva preta

A história começa assim... Duas pessoas, no meio de um dia compras em Nova Iorque, em busca de uma luva para se aquecerem no inverno de 1990, se encontram numa loja de departamentos. E sem querer pegam o último par de luvas pretas juntos. Começa uma história linda de amor... São pessoas com vidas diferentes, em momentos inoportunos para ambos, que se olham, se atraem e querem ficar juntas. Mas colocam na mão do destino a chance de serem felizes.
O nome do filme, em inglês, é Serendipity... esse termo, em português, é traduzido por Serendipismo... Foi um termo criado pelo escritor britânico Horace Walpole, em 1754, a partir de um conto persa infantil: “Os três príncipes de Serendip”. Ele relata as aventuras de três príncipes do Ceilão, que viviam fazendo descobertas inesperadas, cujos resultados eles não estavam procurando realmente. Eles não buscavam. Mas a capacidade deles de observação e sagacidade permitia que descobrissem “acidentalmente” a solução para dilemas impensados. Esta característica os tornava especiais e importantes, não apenas por terem um dom especial, mas por terem a mente aberta para as múltiplas possibilidades.
O casal do filme passou longos anos separados, mas nunca se esqueceu. E, buscavam achar o destino que sonhavam... Eles procuraram o destino que os uniria, todos os dias. Desejavam isso intensamente. E o destino os uniu.
O filme de Peter Chelsom foi um marco na minha vida. Ele me trouxe uma esperança em que eu jamais havia acreditado. A descoberta inesperada... Eu sempre achei que a vida devia ser planejada. Regras nunca faltaram para meu mundo. Sempre criei parâmetros para tudo. E quando me permiti descobrir soluções para meus dilemas, quando me abri para o novo e para as múltiplas possibilidades, passei a acreditar que havia esperança.
O mundo das regras é um mundo muito rígido e sofrido de se viver. Sair delas também o é, por vezes, porque é adentrar num universo desconhecido, sem resultado claro, sem empirismo, sem comprovações ou testes... Mas nos permite descobrir coisas maravilhosas. Permite-nos viver emoções novas. Permite-nos sofrer de modos diferentes. E sonhar também.
Eu sonho com o amor. Eu acredito nele. Eu vivo dele. Eu desejo isso como todo mundo. Eu não desisti. Sei que as circunstancias da vida me tornaram aparentemente mais dura, mais fechada, mas é só aparência. Um amigo me disse que eu sou feita de vidro por dentro. E que só não me quebro, porque afasto tudo de perto, não porque eu tenha resistência. Cruel, né? Mas é verdade.
O filme retratou para mim o que une um casal. Eles desejavam o mesmo. Desejo este simbolicamente representado pela luva preta. Eles tinham um objetivo comum. Suficiente para fazê-los mudar suas vidas. Suficiente para fazê-los abandonar o que a vida tinha proposto, o que eles haviam escolhido até aquele momento para se permitirem “a solução não procurada para seus dilemas”. Mas demoraram uma eternidade para ficarem juntos.
O resumo da ópera é que enquanto houver uma luva preta que una duas pessoas, isso significa que o amor perdurará. Que a esperança não se esgotará. Mas a luva tem que existir... para ambos.
Agora o mais difícil: Quem está com o seu par?
Bom fim de semana!

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