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20 de abril de 2011

OVER

Eu nunca achei difícil me despedir. Sempre porque estava tão certa do que queria, que as despedidas me desgastavam apenas por um motivo: saber que talvez o outro ficasse bem mais triste do que eu. Pode parecer arrogância, mas não é. Chamaria de frieza, mas mais que isso, racionalidade...
Despedir-se sempre foi um encerramento que não me fazia endurecer o coração, mas renová-lo. Sempre me promoveu crescimento, análises, comparações, porque me fazia entender que a vida é feita de ciclos, fases. E que passar por isso me deixaria melhor, mais forte.
Lógica a parte, descobri que despedida pode ser difícil. Pode ser dura e muito difícil. Quando é necessária, mas não desejada. Tem despedida de lugar, de trabalho, de amigo, de colégio, de pessoas. Quando a gente não encerra uma fase dentro da gente, é quase mortal encerrá-la forçosamente fora. É uma dor impensável, que nos faz querer entender porque o mundo é tão cruel conosco. Que nos faz ter pontada de tristeza, falta de ar e dor de cabeça, além de um olho tão inchado que não há como justificar para ninguém tanto choro, a menos que um parente muito próximo tenha morrido numa tragédia.
É assim, dor de dentro, que eclode nos olhos em água sem fim. Mas que nos faz lavar o coração, os pensamentos, a alma. Será? Será que dá para sair ileso?
Bom, lá vamos com outra teoria para explicar o que digo: quando há um encontro (pressuposto da despedida, correto?) é como se duas folhas de papel fossem coladas. Ao despedir-se, vc precisa desgrudá-las. É possível fazer isso sem rasgar um delas? Não, sempre um pedaço de uma fica na outra, e vice-versa. As folhas perdem em uma parte de seu corpo, e se reforçam em outra parte.
É assim com os encontros e as despedidas. Não há como sair ileso, mas dar um significado mais bonito para nossos machucados, com certeza, é possível. Nos tornamos diferentes a cada encontro e desencontro, nem mais fortes, nem mais frágeis, mas outros. Uma nova composição, uma nova experiência, uma nova pessoa. E se a vida nos propuser novos desafios, estaremos repaginados para senti-los, para o vencermos.
Então, GO AHEAD! Let´s do it.

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